Automação de processos: o que é e exemplos numa empresa
Automação de processos é o uso de software para executar, sem trabalho manual, as tarefas repetidas de uma empresa: copiar dados, pedir aprovações, enviar lembretes, montar relatórios. Serve para tirar às pessoas o que não exige julgamento e deixar-lhes o que o exige.
O que é automação de processos?
Um processo é uma série de actividades com um objectivo concreto: receber um pedido, aprovar uma despesa, integrar um novo trabalhador. A automação de processos usa software para executar, em todo ou em parte, os passos repetidos desse caminho. A Red Hat descreve-a como o uso de software para automatizar transacções repetíveis e com vários passos, em regra ligadas a vários sistemas da empresa e feitas à medida da organização (definição da Red Hat).
A parte que mais importa é a que fica de fora. Automatizar não é retirar as pessoas do processo. É decidir o que o sistema faz sozinho, o que prepara para uma pessoa decidir e o que continua inteiramente nas mãos de quem trabalha.
Que tipos de automação existem?
Há várias classificações. A IBM propõe uma classificação por amplitude, da tarefa isolada ao processo inteiro, resumida aqui em quatro tipos (a IBM junta ainda a automação digital de processos) (classificação da IBM):
| Tipo | O que automatiza | Exemplo |
|---|---|---|
| Tarefa | Um passo isolado | Enviar uma confirmação por correio electrónico ou gerar um documento |
| Fluxo de trabalho | Uma sequência de tarefas, com passagem de uma etapa para a seguinte | Um pedido de compra que segue para o aprovador certo |
| Processo | O caminho de ponta a ponta | Do pedido de compra à encomenda ao fornecedor e à entrada em stock |
| Inteligente | Tarefas que exigem ler texto, classificar ou prever | Classificar pedidos escritos recebidos por correio electrónico |
A RPA (robotic process automation) aparece muitas vezes nestas listas. É uma técnica, não um tipo: usa robots de software que imitam o que uma pessoa faz no ecrã, como passar dados de um programa para outro. A IBM sublinha, noutra página, que a RPA segue os passos definidos por uma pessoa, enquanto a inteligência artificial aprende padrões nos dados (diferença entre RPA e IA, segundo a IBM). Quando entra a leitura de documentos ou a classificação de pedidos escritos, o assunto passa para a inteligência artificial aplicada à empresa.
Exemplos de automação numa empresa
Os exemplos abaixo descrevem padrões comuns em empresas com operação repetida. Não são casos de empresas concretas, e o retorno de cada um depende do volume e do estado do processo.
| Área | Como costuma ser hoje | O que o sistema passa a fazer | O que continua com uma pessoa |
|---|---|---|---|
| Compras | Pedidos copiados entre correio electrónico e folha de cálculo | Regista o pedido uma vez e envia-o ao aprovador certo | Aprovar e negociar com o fornecedor |
| Stock | Contagens para saber o que falta | Avisa quando um artigo desce abaixo do limite definido pela empresa e sugere a encomenda | Definir o limite e confirmar a encomenda |
| Aprovações | Pedidos de despesa ou desconto a circular por mensagem, sem registo | Aplica regras claras e guarda quem aprovou e quando | Decidir as excepções |
| Cobranças | Seguimento dos pagamentos em atraso feito de memória | Envia lembretes aos clientes e entrega à equipa a lista de casos em aberto | Falar com o cliente em dificuldade |
| Relatórios | Números montados à mão no fim do mês | Gera o relatório a partir dos registos | Interpretar os números e decidir |
| Novos trabalhadores | Lista de tarefas por correio electrónico: acessos, documentos, reunião | Pede os acessos, envia os documentos e marca as etapas pela ordem certa | Acolher a pessoa |
As compras, o controlo de stock e a integração de novos trabalhadores figuram também entre os casos típicos que a IBM cita. Os relatórios mensais têm um padrão próprio: quando levam duas semanas a fechar, a causa é quase sempre a circulação da informação, como se explica em porque é que o fecho mensal demora duas semanas.
O que convém fazer antes de automatizar
Automatizar um processo mal compreendido só o torna errado mais depressa. A IBM insiste no mesmo ponto: a falta de documentação do processo pode bloquear a automação, e recomenda documentar o processo antes de automatizar e começar pequeno (guia da IBM sobre automação de processos). Convém, por isso, que cada processo a automatizar tenha definidos os passos, os responsáveis e os tempos de execução. Antes de escolher qualquer ferramenta, a ordem útil é esta:
- Descrever o que se repete. Em cada passo, o que alguém copia, reenvia ou confirma sempre da mesma maneira, e as excepções que toda a gente conhece e ninguém escreveu. Como rever o resto do processo antes de o passar para o digital está em digitalizar sem rever o processo: porque não muda nada.
- Medir o ponto de partida. Quantas vezes por semana se repete e quanto tempo consome. Sem este número, nunca se saberá se a automação ajudou.
- Separar a regra do julgamento. O que segue uma regra pode ser automatizado. O que exige contexto ou responsabilidade fica com uma pessoa.
- Começar por um processo pequeno. Um processo curto, frequente e com regras claras permite aprender sem pôr em risco a operação.
Esta ordem é a mesma que se defende em antes da inteligência artificial, arrumar o processo: o retorno vem de um processo claro, não de uma ferramenta nova.
Quando a automação não é a resposta
Há três situações em que automatizar não é o primeiro passo:
- O processo ainda não cabe numa página. Se ninguém o consegue descrever do princípio ao fim, primeiro arruma-se.
- A tarefa exige julgamento. Aqui o sistema pode preparar a decisão, mas quem decide continua a ser uma pessoa. Muitos processos funcionam melhor num modelo híbrido.
- O problema é de circulação dos dados. Quando o trabalho repetido consiste em passar valores de um sistema para outro, a resposta costuma ser a integração de sistemas: ligar o que já existe, antes de automatizar à volta dele. Os tipos de ligação estão explicados em tipos de integração de sistemas e por onde começar.
Dizer o que não se deve automatizar faz parte do método da Nhoki, mesmo quando isso encurta o trabalho que lhe caberia.
Como começar, em meia página
A empresa pode começar por escolher um processo que consome tempo a mais e descrevê-lo, por escrito, em meia página: quem faz o quê, com que informação e em que ordem. Se o texto sair fácil, o processo está pronto para ser discutido. Se sair difícil, já se aprendeu onde está o problema.
O Diagnóstico da Nhoki faz este trabalho com quem conhece a operação por dentro: identifica os processos onde a automação tem retorno, os que precisam de ser arrumados antes e o que pode esperar. O mapa fica com a empresa, tenha ou não seguimento a implementação. Quem preferir começar por uma conversa pode falar com a Nhoki.
Perguntas frequentes
Automação de processos é o mesmo que RPA?
Não. A RPA, sigla inglesa de robotic process automation, é uma técnica que usa robots de software para repetir no ecrã o que uma pessoa faria, como copiar dados entre programas. A automação de processos é o objectivo mais largo e pode usar a RPA, fluxos de trabalho, integrações entre sistemas ou inteligência artificial, consoante o caso.
Uma empresa pequena justifica automatizar processos?
Depende menos do tamanho e mais da repetição. Um processo que se repete muitas vezes, segue regras claras e consome horas todas as semanas pode justificar uma automação pequena, mesmo numa equipa curta. Um processo raro ou ainda mal compreendido, não.
O que acontece quando uma tarefa automatizada falha?
Deve haver um responsável identificado, um registo do que o sistema fez e um caminho claro para a pessoa assumir o trabalho à mão. Uma automação bem desenhada prevê a falha e avisa quem tem de agir; uma mal desenhada falha em silêncio.