Que indicadores deve ver a administração
A administração deve ver poucos indicadores: os que respondem às decisões que toma de forma regular, como quanto vai entrar, quanto fica, quanto falta receber e se a operação entrega no prazo. Cada indicador precisa de uma definição escrita, de uma origem conhecida e de um responsável. Sem isso, duas áreas apresentam dois números diferentes para a mesma coisa e a reunião gasta o tempo a discutir qual está certo.
Análise de dados é o processo de recolher, organizar e examinar dados para tirar conclusões que apoiem uma decisão.
O que é análise de dados, em termos de gestão
Em gestão, análise de dados não é um gráfico nem uma ferramenta. É a resposta a uma pergunta que a administração tem de decidir, dada com um número que todas as áreas aceitam. Os registos que os sistemas já guardam (vendas, stock, compras, propostas, horas) só se tornam indicadores quando alguém define a pergunta, a forma de calcular o número e o sítio de onde ele vem. A ferramenta que mostra o resultado vem depois e pesa menos do que essa definição. Este é o trabalho da análise de dados para quem decide.
Porque poucos indicadores e não todos os que o sistema calcula
Um sistema de gestão calcula dezenas de números, e todos parecem importantes. O que se mede orienta o comportamento de quem trabalha. Kaplan e Norton resumiram-no, num artigo de 1992 da Harvard Business Review sobre o balanced scorecard, com a frase «what you measure is what you get» (o que se mede é o que se obtém), e avisaram que as medidas financeiras tradicionais podem dar sinais enganadores para a melhoria contínua e a inovação. Daqui saem duas regras práticas:
- Cada indicador existe para uma decisão. Se nenhum número muda uma decisão, o indicador é decoração.
- Os números financeiros não contam a história toda. Mostram o que já aconteceu. Convém ter ao lado alguns números da operação e dos clientes que mostrem o que está a acontecer.
Os indicadores que uma administração costuma precisar
Não há uma lista universal. A tabela mostra seis perguntas que uma administração costuma fazer, com o indicador que lhes responde, a origem habitual do dado e a armadilha mais comum.
| Pergunta da administração | Indicador | Origem habitual | Armadilha comum |
|---|---|---|---|
| Quanto vai entrar nos próximos meses? | Valor das propostas abertas, por etapa | CRM ou registo comercial | Propostas sem data do último contacto |
| Está a vender-se o que compensa? | Margem por produto ou serviço | Sistema de gestão e contabilidade | Custos indirectos deixados fora do cálculo |
| Quanto dinheiro há e quanto falta receber? | Saldo disponível e valores por receber, por antiguidade | Contabilidade e tesouraria | Valores sem data de vencimento |
| A operação entrega no prazo? | Pedidos entregues dentro do prazo prometido | Sistema de gestão, armazém ou equipa de projecto | Prazo prometido que ninguém registou |
| O stock está parado ou em falta? | Dias de cobertura e ruturas | Registo de stock | Inventário desactualizado |
| Os clientes voltam? | Clientes que repetem a compra e clientes que deixaram de comprar | CRM e registo de vendas | O mesmo cliente registado duas vezes com nomes diferentes |
Nem todas as empresas precisam das seis. O que decide é o negócio, e é por isso que a primeira coluna é uma pergunta e não uma lista de gráficos.
Como definir cada indicador
Um indicador só é o mesmo número em todas as áreas quando a sua definição está escrita. Cinco campos bastam:
- Decisão. Que decisão este número ajuda a tomar.
- Definição. Como se calcula, sem ambiguidade.
- Origem. Em que sistema nasce e quem o regista.
- Responsável. Quem responde se o número estiver errado.
- Limite. A partir de que valor alguém tem de agir.
Exemplo de ficha, para os valores por receber em atraso:
| Campo | Exemplo |
|---|---|
| Decisão | Quando reforçar o contacto de cobrança com um cliente |
| Definição | Soma dos valores com data de vencimento já passada e ainda não recebidos, no último dia do mês |
| Origem | Contabilidade, com a data de vencimento registada no momento da venda |
| Responsável | Responsável financeiro |
| Limite | Fixado pela administração, por cliente e no total |
Indicadores de resultado e indicadores que antecipam
Os indicadores de resultado dizem o que já aconteceu: vendas do mês, margem, recebimentos. Chegam tarde para mudar o mês. Os que antecipam dizem o que vem a caminho: propostas abertas e paradas, pedidos que ultrapassaram o prazo, stock abaixo da cobertura habitual. Um painel que só tem os primeiros serve para explicar o passado; os segundos dão tempo para agir. Uma boa regra é haver, por área, um número de resultado e um que o antecipa.
O que fazer quando dois números não coincidem
Mais cedo ou mais tarde, duas áreas apresentam valores diferentes para o mesmo indicador. A saída é sempre a mesma, e raramente é discutir quem tem razão:
- Seguir cada número até à origem. De que sistema, ou de que folha, saiu, e quem o registou.
- Comparar as definições. Muitas vezes a diferença está na definição, e não no cálculo: um número conta as vendas à data da proposta, o outro à data da entrega.
- Escolher uma definição e escrevê-la. A partir daí, só essa vale, e a outra deixa de ser apresentada com o mesmo nome.
Este exercício, feito uma vez por indicador, costuma reduzir as discussões nas reuniões de direcção.
Uma revisão curta, sempre com a mesma forma
Um painel pequeno permite uma revisão curta. Para cada indicador, três coisas: o valor, o limite a partir do qual alguém age e a decisão que daí resulta. Quando um indicador passa muitas reuniões seguidas sem provocar nenhuma decisão, é candidato a sair; quando uma decisão é tomada sem número que a apoie, é candidata a ganhar um.
Sinais de que o painel tem indicadores a mais
- Ninguém sabe dizer que decisão cada número apoia.
- O mesmo indicador tem valores diferentes consoante a área que o apresenta.
- Os relatórios são montados à mão e chegam depois da reunião.
- Quando um número está errado, ninguém é responsável por ele.
- Ninguém olha para o painel entre reuniões.
Quando a causa é a informação espalhada por vários sistemas e reescrita à mão, o padrão é o descrito em porque é que o fecho mensal demora duas semanas, e as formas de ligar esses sistemas estão em tipos de integração de sistemas e por onde começar.
De onde devem sair os números
Um indicador fiável sai do sistema onde o dado é registado, não de uma cópia. Os números comerciais são tão fiáveis como o registo que a equipa faz, e por isso o CRM, explicado em o que é um CRM e para que serve numa empresa, faz parte do painel. Quando a operação corre num sistema de gestão à medida, os indicadores de stock, compras e margem saem dele directamente, sem montagem manual.
Um passo pequeno
A administração pode escolher a decisão mais difícil do último trimestre e escrever que número a teria tornado mais fácil, de onde viria e quem o registaria. Se a resposta não existir, esse é o primeiro indicador por definir.
O Diagnóstico da Nhoki percorre esse mapa com quem conhece a operação: de onde vem cada número, onde é reescrito e que indicadores faltam, com preço e prazo fechados. Sai dele uma lista com prioridades e, se a empresa avançar, o primeiro relatório automatizado pode ser pequeno.
Perguntas frequentes
Quantos indicadores deve ter o painel da administração?
Os que a administração consegue ler e usar numa reunião: poucos, cada um ligado a uma decisão. Não há um número certo. O teste é perguntar, para cada indicador, que decisão ele pode mudar; o que não muda nenhuma decisão sai do painel.
Com que frequência a administração deve rever os indicadores?
Ao ritmo da decisão que cada um apoia. Os que antecipam problemas, como propostas paradas ou valores em atraso, costumam justificar uma revisão semanal. Os de resultado, como a margem, costumam bastar uma vez por mês.
Dá para começar com uma folha de cálculo?
Dá, desde que as definições estejam escritas e a origem de cada número esteja identificada. O risco é a folha ser montada à mão todos os meses e acabar por haver uma versão por pessoa. Quando isso acontece, é sinal de que o relatório deve passar a sair directamente dos sistemas.