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Inteligência artificial

Chatbot para empresas: quando faz sentido e quando não

· 6 min de leitura

Um chatbot para empresas faz sentido quando boa parte das perguntas que a empresa recebe se repete, as respostas são estáveis e estão escritas, e existe sempre uma pessoa a quem passar a conversa. Não faz sentido quando as respostas dependem de julgamento, quando um erro custa caro ou quando a empresa ainda não tem as respostas escritas em lado nenhum.

O que é um chatbot e que tipos existem

Um chatbot é um programa que conversa por escrito, ou por voz, com quem visita um site ou envia uma mensagem. Há dois tipos, com riscos diferentes:

  • Por regras. Segue menus, palavras-chave e respostas escritas de antemão. Responde sempre o mesmo e só ao que alguém previu.
  • Com modelo de linguagem. Compõe a resposta a cada pergunta a partir de um modelo de inteligência artificial e dos documentos que lhe são dados. Cobre mais perguntas, mas pode errar com confiança.

Convém não os confundir: o primeiro falha por omissão, o segundo pode falhar por invenção.

Quando faz sentido, e quando ainda não

Situação Faz sentido Ainda não faz sentido
Perguntas dos clientes Repetidas e com resposta única, como horários, estado de um pedido ou documentos necessários Cada caso é diferente e exige avaliação
Respostas Escritas, actuais e com um responsável Dispersas, desactualizadas ou só na cabeça de uma pessoa
Custo de um erro Baixo e reversível Alto: preços, prazos contratuais, saúde, dinheiro de terceiros
Passagem a uma pessoa Sempre disponível e rápida Inexistente, ou fora de horas sem aviso
Volume Suficiente para libertar tempo à equipa Tão baixo que uma resposta humana rápida resolve melhor
Dados dos clientes Mínimos e com finalidade clara Dados pessoais sem regra de tratamento

O que pode correr mal

Respostas erradas ditas com confiança

O NIST, instituto de normalização dos Estados Unidos, dá a este problema o nome de confabulação, no seu perfil de inteligência artificial generativa: a produção de conteúdo falso, mas afirmado com confiança, vulgarmente chamado alucinação, que pode induzir o utilizador em erro. Um chatbot com modelo de linguagem pode inventar um prazo, uma condição ou uma política que não existe. Os riscos da inteligência artificial numa empresa, em geral, estão reunidos em vantagens e riscos da inteligência artificial na empresa.

A empresa pode responder pelo que o chatbot diz

Em 2024, um tribunal da Colúmbia Britânica, no Canadá, decidiu que uma companhia aérea era responsável pela informação errada que o chatbot do seu site dera sobre tarifas (Moffatt v. Air Canada, 2024 BCCRT 149; há uma análise jurídica da decisão). É uma decisão de um tribunal de pequenas causas e não tem força vinculativa noutros tribunais. O tribunal rejeitou o argumento de que o chatbot seria uma entidade separada e tratou-o como parte do site da empresa. O caso mostra um raciocínio possível: o que o chatbot afirma no site pode ser tratado como informação da empresa. Não é uma regra angolana.

Os dados dos clientes

Uma conversa contém dados pessoais. Em Angola, a Lei n.º 22/11 exige que os dados sejam recolhidos para finalidades determinadas, explícitas e legítimas (artigo 9.º) e sujeita a transferência internacional de dados a notificação (para países com protecção adequada) ou a autorização (para os restantes, com as excepções previstas na lei) da Agência de Protecção de Dados (artigos 33.º e 34.º). Se o chatbot usa um serviço que trata as conversas fora do país, convém ter essa questão resolvida antes de o chatbot entrar em funcionamento. Esta referência descreve o texto da lei e não substitui aconselhamento jurídico.

Dizer que é uma máquina

No Regulamento (UE) 2024/1689, o artigo 50.º, n.º 1, obriga os fornecedores de sistemas de inteligência artificial concebidos para interagir directamente com pessoas a garantir que estas são informadas de que falam com um sistema de inteligência artificial, salvo se isso for óbvio. Segundo o portal digital.gov.pt, estas obrigações de transparência aplicam-se desde 2 de Agosto de 2026. A regra interessa a quem serve clientes na Europa, e convém confirmar com um jurista se se aplica ao caso concreto. Onde não se aplique, avisar evita equívocos.

Chatbot ou assistente que apoia a equipa

Há uma alternativa intermédia: em vez de a máquina responder ao cliente, prepara a resposta e uma pessoa confirma e envia. O risco de erro baixa porque há revisão humana, e a equipa ganha tempo nas perguntas repetidas. Quando as respostas mudam com frequência ou quando um erro tem custo, costuma ser o primeiro passo mais seguro. Este tipo de assistente interno faz parte da inteligência artificial aplicada às áreas da empresa.

Um assistente só prepara boas respostas se vir o histórico de cada cliente. Quando esse histórico está espalhado por telemóveis e folhas de cálculo, o problema anterior é o descrito em o que é um CRM e para que serve numa empresa.

O que um chatbot precisa para funcionar

Um chatbot não é um produto que se instala e se esquece. Para funcionar precisa, no mínimo, de quatro coisas que dependem da empresa e não da tecnologia:

  • Respostas escritas e actuais. O chatbot só é tão certo como o texto em que se apoia. Quando um prazo ou uma condição muda, a resposta tem de mudar no mesmo dia.
  • Um responsável. Alguém que decide o que o chatbot pode dizer e que corrige quando ele erra.
  • Uma passagem a pessoas. Um caminho claro, com horário conhecido, para quando a pergunta sai do que está previsto.
  • Uma revisão regular. Ler as conversas em que o cliente desistiu ou pediu uma pessoa mostra onde o chatbot falha.

Sem estas quatro, o chatbot degrada-se com o tempo, e a empresa pode só dar por isso quando um cliente reclama.

Como testar antes de construir

  1. Listar as perguntas recebidas durante um mês, por qualquer canal: telefone, correio electrónico, mensagens, formulário.
  2. Agrupar as repetidas e marcar as que têm uma só resposta estável.
  3. Escrever essas respostas, com a data e o responsável por cada uma.
  4. Definir o que passa sempre para uma pessoa: reclamações, preços fora de tabela, pedidos urgentes e tudo o que envolva dinheiro de terceiros.
  5. Só então escolher a abordagem: uma página de perguntas frequentes bem feita, respostas por regras, um assistente que apoia a equipa ou um chatbot com modelo de linguagem.

Os passos 1 a 3 resolvem muitas vezes parte do problema: uma página de perguntas frequentes clara tira trabalho à equipa sem qualquer risco de invenção. Quando as perguntas se repetem e as regras são claras, o caminho costuma passar pela automação de processos, com ou sem chatbot. E quando o processo está desarrumado, nenhum chatbot o arruma. Essa ordem das coisas está explicada em antes da inteligência artificial, arrumar o processo.

O primeiro passo

Basta fazer a lista do passo 1 com quem atende os clientes e marcar, ao lado de cada pergunta, se a resposta é sempre a mesma. Se a maioria das linhas ficar marcada, há matéria para um chatbot. Se ficar a minoria, o primeiro trabalho é outro.

O Diagnóstico da Nhoki percorre estas perguntas com a equipa que atende os clientes e diz se compensa avançar para um chatbot, para um assistente interno ou apenas para melhores respostas escritas, com preço e prazo fechados.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre um chatbot e um assistente de inteligência artificial?

Um chatbot conversa com o cliente, seguindo regras ou usando um modelo de linguagem. Um assistente de inteligência artificial pode trabalhar para a equipa, por exemplo a preparar uma resposta ou a resumir um histórico, sem falar directamente com o cliente. O segundo costuma ter menos risco, porque uma pessoa revê antes de a resposta sair.

Um chatbot gratuito serve para uma empresa?

Pode servir para testar com perguntas simples. Convém saber onde ficam as conversas, quem as pode ver e se as condições de utilização permitem uso comercial com dados de clientes. Ser gratuito não dispensa as regras sobre dados pessoais.

Um chatbot tem de avisar que não é uma pessoa?

Na União Europeia, em regra, sim: o artigo 50.º, n.º 1, do Regulamento (UE) 2024/1689 obriga os fornecedores de sistemas concebidos para interagir directamente com pessoas a garantir que estas são informadas de que falam com um sistema de inteligência artificial, salvo se for óbvio. Aplica-se desde 2 de Agosto de 2026 e interessa a quem serve clientes na Europa; convém confirmá-lo com um jurista. Onde a regra não se aplique, avisar evita equívocos.